domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Morte por Pedro Bial

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,
Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: "das minhas coisas cuido eu."
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.







*só que, pra algumas pessoas, a morte parece ser a saída.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Distância

A distância é composta por fragmentos de proximidade.
Pior é aquela distância de quem está ao lado.
Não concebo a ideia de dizer eu te amo por email.
De abraçar por emoticon.

Os meios parecem ter criado distância de quem está perto e encurtado de quem está longe. Entranho Paradoxo.

Distância é uma coisa com a qual eu não consigo conviver muito bem. É difícil. Me dói. A saudade é boa até certo ponto. A dor é gostosinha até começar a te fazer mal pelo tanto de tempo que ela está em você.

Distância é saudade.

Saudade é a distância entre eu e como eu gostaria de estar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Se eu corro;
Seucorro;
Socorro.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Morrer Ainda Vivendo

Embora amanheça ainda é noite.

E não obstante o verão, ainda é inverno.

Aqui.

Dentro.

De mim.

E sem querer ser – sendo mesmo assim – uma solidão torturante num silêncio agonizante que não me deixa enxergar, nem viver. Sugando toda minha companhia de mim mesma, e deixando-me perder na mansão que é a minha mente.

Eu – que por esses dias não tenho sabido quem sou nem o que quero ser – tenho perdido as esperanças em querer viver, sendo que já morri nessa minha vida.

Sem decompor.

Porém me dilacerando na vaidade de querer saber mudar o que não posso interferir.

Hoje morri – de medo – por ter que me deixar pra traz.

Morri – de solidão – por não saber quem sou nem o que quero ser.

E morro, nesse momento, em lágrimas.

Por sentir medo e por saber que morri.

Morri.

E fiz pó de mim mesma.

E o vento assopra.

Agora estou em pedaços.

Pedaços que desejam ser outra pessoa.

Pedaços.

Pedaços que desejam outra vida.

Porque dói demais ser eu mesma.

Sorrir e mentir.

Embora haja verdade no riso e ainda doer ser outra pessoa.

Ser de mentira.

Não ser alguém.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Motivo

'Não acreditava nela. nunca acreditei. sempre achei que era desculpa para reclamar, para comer, para chorar. Mas de um tempo pra cá, descobri que ela existe e, pra mim, tem hora marcada para começar. Quando o choro chega sem razão, quando o grito explode injusto, quando o coração aperta e se fecha como concha que esconde pérola, quando o armário fica pequeno diante do meu desespero, quando as sobremesas se tornam parte obrigatória dos meus dias, é batata, na folhina restam apenas 4.'

Tem Poesia de Menos nesses dias.